Design thinking

Design Thinking Como Processo Criativo Para o Alcance de Soluções Desafiadoras

Se sua empresa ou instituição tem demandas complexas e busca encontrar soluções inusitadas, vale a pena desenvolver projetos por meio do design thinking. Este processo criativo encontra no design sua base de sustentação e, por isso, desconstrói entendimentos paralisantes e impulsiona equipes multidisciplinares a alcançar melhores resultados tanto para um desafio específico como para a criação de uma nova cultura organizacional.

O design thinking é democrático, pode ser aplicado em qualquer tipo ou tamanho de empresa, instituição pública, privada ou ainda do terceiro setor. Isso ocorre porque o foco do design thinking são os desafios e não necessariamente a empresa. Então se o setor de engenharia tem uma demanda, esta pode ser atendida com o design thinking. Da mesma forma, a área de enfermagem de um hospital ou ainda o processo pedagógico de uma escola ou universidade. Isto só é possível porque o design thinking trabalha com “problemas de projetos”. Ou seja, se você encontra um desafio onde você trabalha, ele pode ser solucionado pelo design thinking.

Um problema de projeto para o design thinking deve ser formulado colaborativamente e de forma bastante ampla. Não se busca uma pergunta que traga um resultado singular, mas inúmeros resultados. E, isso já é um diferencial em relação à outras práticas de resolução de problemas. A formulação de uma pergunta de projeto é apenas uma das técnicas empregadas no processo de design thinking. Outras técnicas são utilizadas e, estas técnicas estão contidas nas principais diretrizes do design thinking.

As diretrizes do Design Thinking

A primeira diretriz é o trabalho em equipes multidisciplinares, pois não se pode criar novas soluções com pessoas pensando do mesmo jeito ! Depois vem o pensamento visual que estimula as pessoas a imaginarem como poderia ser uma solução. Em seguida, enfatiza-se a criatividade que é inerente a todos os seres humanos. As atividades do processo do design thinking , por outro lado,  acontecem em workshops colaborativos. Então as equipes multidisciplinares vão cocriar. Para o processo funcionar e alcançar resultados satisfatórios, a empatia com os usuários internos e externos à empresa ou instituição é fundamental. Além disso, o uso da lógica abdutiva (que leva à pergunta “ E se?” ) e a iteratividade (avançar e retroceder no processo a qualquer momento) caracterizam fortemente a inspiração no âmbito do design. Por fim, a experimentação com a produção de protótipos na fase intermediária do desenvolvimento do projeto é o diferencial deste processo criativo e apaixonante !

Você dificilmente encontrará outros autores falando de diretrizes de design thinking. Venho utilizando este termo para auxiliar leigos a compreenderem melhor esta prática profissional. Com a compreensão das diretrizes fica mais fácil entender também a aplicação do processo.

Como se Aplica um Processo de Design Thinking?

Geralmente um processo de design thinking é aplicado a partir de um modelo. Os modelos mais conhecidos são o do Tim Brown e o do Design Council. Mas, aqui na Fronte Sul desenvolvemos um modelo próprio chamado MOPDET que demonstra o nosso entendimento deste incrível processo criativo. Com este modelo já estruturamos um negócio social, já fizemos planos de marketing, já solucionamos reveses na área da educação e também em pequenas empresas. Queremos continuar a aplicar este processo em novos desafios inclusive na área sócio ambiental.

A partir do modelo inicia-se a escolha da equipe de cocriação e dos convidados. Sim, convidados participam da fase de imaginação, de avaliação e de implantação. Os convidados  podem ser profissionais de outras áreas, colegas da empresa, pessoas comuns e usuários. Em cada fase participam diferentes atores, e, em todas as fases participa a equipe líder do projeto geralmente formada por um ou mais designers e por gestores do plano.

Existem inúmeras ferramentas que podem ser utilizadas para o alcance de objetivos específicos de cada fase. Essas ferramentas podem ser de design, publicidade, administração, marketing, engenharia, medicina e de todas as outras áreas do conhecimento. Dependendo do objetivo a ser alcançado será utilizada uma ou mais ferramentas. Na prática significa que na busca de uma solução pragmática para a gestão da empresa, utiliza-se por exemplo ferramentas como uma análise SWOT, uma matriz BCG, uma teoria administrativa, mas não só estas. Tudo vai depender do que se está buscando. No âmbito do design existem mais de 300 ferramentas, e além delas podem ser criadas inúmeras outras. O que importa não são as ferramentas, mas as “entregas” que cada ferramenta possibilita. Entregas devidamente documentadas. O conjunto dessas entregas impulsionadas pelo trabalho colaborativo faz a aplicação do design thinking ser inusitada.

Quem Lidera o Processo de Design Thinking?

Um processo de design Thinking funciona melhor se liderado por um designer, já que o designer funciona como se fosse um maestro que consegue enxergar o potencial de cada participante e busca extrair dele o melhor. Assim, o palco do designer/maestro é um espaço iluminado, com amplas mesas, painéis para interação, materiais lúdicos, canetinhas coloridas, papéis de todos os tamanhos, alimentos doces e coloridos, bebidas quentes e frias. Tudo organizado com grande estímulo sensorial para promover a criatividade. Neste “palco” todos são atores do mesmo escalão, ou seja, todos se despem de seus cargos e passam a ser apenas “cocriadores”. Quem já participou de um workshop de design thinking sabe como é entusiasmante !

Como fazer a transição dos processos tradicionais para o design thinking ?

O mais interessante quando se decide usar o design thinking como caminho para o alcance de objetivos disruptivos é que, em projetos pontuais, não há necessidade de se reorganizar a empresa. É possível usar o processo do design thinking somente para o alcance de um objetivo. Geralmente quando atingido um objetivo, a empresa decide expandir a técnica para outros projetos. A reorganização geral só vai acontecer se uma empresa ou instituição decidir criar uma cultura de design thinking. Aliás, considero altamente recomendável que isto ocorra.

Uma organização que tem uma cultura de design thinking fica naturalmente à frente da concorrência. Além disso, usa os valores como fundamento para a própria transformação e da sociedade. O time aprende a trabalhar intuitivamente com cocriação, abandonando a competitividade interdepartamental. Há menos risco de sabotagem. Prejuízos são mitigados. O ambiente organizacional fica mais leve. As pessoas ficam mais felizes. Tudo isso ocorre porque os seres humanos têm em si um repertório muito rico que, quando compartilhado, transforma a percepção de mundo. O design thinking promove essa troca de modo ímpar, por isso vem impactando políticas públicas e empresas de todos os segmentos.

Aos líderes empresariais sugiro que não se limitem a analisar o emprego do design thinking como se fosse apenas o resultado da aplicação de meia dúzia de ferramentas criativas. Definitivamente o design thinking não é isso. O processo deve ser cuidadoso, seguir um modelo, deve ser desenvolvido colaborativamente e embasado teoricamente para que haja mais análise e controle dos resultados.

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